Outros tempos
- Luciano Lopes

- 22 de mai. de 2019
- 1 min de leitura
Atualizado: 30 de jan. de 2022
Como eram felizes os meus tempos de criança...
Guardo uma saudade sem fim, memórias cheias de carinhos, rostos e sorrisos.
Todos reunidos – pais, tios, primos, avós – celebrando a alegria de estarem juntos.
Os abraços eram mais fortes, as conversas despretensiosas.
Lembranças de outros tempos, dos causos sem fim.
Daquele dia alegre na roça, do casamento de fulano, do escorregão de ciclano.
Da tia engraçada que faz piada das dores, da prima apaixonada, das notas na escola.
Dos lanches, das festas. Dos nascimentos e das perdas.
Era uma vida toda em um encontro.
E aí o tempo passou. A distância aumentou.
Todos separados – pais, tios e primos – remoendo a pureza de ser que ninguém tem mais.
Os abraços viraram frases de aplicativo. As conversas despretensiosas se transformaram em futricas e fuxicos.
As boas lembranças deram lugar ao orgulho, aos egos inflados e à inveja explícita.
Daquele dia do churrasco, que fulano falou mal de ciclano.
Da bebedeira do tio, da arrogância da tia. Do primo que arrumou um namorado e chocou os falsos moralistas e conservadores da família.
Da prima que casou mal, do filho que foi expulso da escola.
Da comida que todo mundo comeu e falou mal depois.
Das perdas e nascimentos.
E meu coração a gritar: “O perto era a liga do sentimento”.
Como são tristes os meus tempos de adulto...




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